Veja as principais tendências para o RH em 2026
Descubra o futuro do RH: Com a IA, o recrutamento, a retenção e o engajamento de talentos já entraram em uma nova era.
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O RH Summit 2026 acontece nos dias 05 e 06 de maio, reunindo milhares de profissionais e lideranças de Recursos Humanos no Expo Center Norte, em São Paulo.
Reconhecido como o maior evento focado em Resultados Humanos do Brasil, o RH Summit é o ponto de encontro de quem está à frente das decisões estratégicas de pessoas, cultura e negócios. Mais do que um evento, ele se consolida como um ambiente de troca entre líderes que estão transformando o RH em uma área cada vez mais orientada a impacto e performance organizacional.
O RH Summit é um evento anual que reúne lideranças de RH de diferentes segmentos e portes de empresas, com o objetivo de discutir os principais desafios e tendências da gestão de pessoas.
A proposta do evento é conectar conhecimento prático, tecnologia e estratégia para apoiar a evolução do RH nas organizações, com foco em atração, retenção e desenvolvimento de talentos.
Ao longo dos dois dias, os participantes têm acesso a palestras, painéis, sessões de mentoria e espaços de networking estruturado, além de experiências voltadas à troca entre profissionais que vivem desafios semelhantes no dia a dia.
Embora o evento comece hoje, ainda restam ingressos disponíveis em duas modalidades: Passaporte e VIP.
As duas opções garantem acesso aos dois dias de evento e às principais experiências da programação, incluindo palestras, palcos simultâneos, matchmaking entre participantes, sessões de mentoria, certificado de participação, resumos gerados com apoio de IA e acesso ao conteúdo do RH Live Show.
Valor: a partir de R$ 1.160,00 (ou em até 12x de R$ 116,47)
Além de todos os benefícios do Passaporte, o ingresso VIP inclui experiências adicionais, como:
Valor: a partir de R$ 2.090,00 (ou em até 12x de R$ 209,84)
A edição deste ano acontece em um momento em que o RH está cada vez mais pressionado a gerar impacto direto no negócio.
Temas como inteligência artificial, qualidade das contratações e experiência do candidato refletem uma mudança clara na área: sair do volume operacional e avançar para decisões mais estratégicas e orientadas por dados.
É esse movimento que deve guiar as discussões ao longo dos dois dias de evento.
Este artigo será atualizado ao longo dos dois dias de evento com os principais insights, aprendizados e destaques das palestras e painéis do RH Summit 2026.
A proposta é trazer uma leitura prática do que está sendo discutido no palco e como essas tendências já estão sendo aplicadas por lideranças de RH no Brasil. Nos acompanhe para não perder nada!
O primeiro dia do RH Summit 2026 foi marcado por uma agenda intensa e simultânea, com conteúdos distribuídos entre plenárias, palcos temáticos e roundtables. Ao longo do dia, os debates passaram por temas como liderança, inteligência artificial, produtividade, saúde do colaborador, desenvolvimento de pessoas e o papel estratégico do RH na geração de resultados.
Mais do que tendências isoladas, o evento trouxe uma visão integrada: o RH como área cada vez mais conectada ao negócio, responsável por equilibrar performance, experiência e sustentabilidade das organizações.
A abertura do evento trouxe uma reflexão sobre liderança a partir da perspectiva de negócios, com Paulo Camargo, ex-CEO do McDonald’s e da Zamp. A proposta foi clara: discutir o papel do líder a partir do impacto real que ele gera nas pessoas e nos resultados.
Um dos principais pontos abordados foi a importância do propósito na liderança. Segundo Camargo, liderar é definir por que as pessoas fazem o que fazem, e não apenas o que deve ser feito. Esse alinhamento é essencial para sustentar a execução e engajar equipes.
Outro destaque foi a relação entre processos e comportamento. Para o executivo, não existe processo que não possa ser melhorado, mas isso exige, muitas vezes, a coragem de desestruturar o modelo atual. Ao mudar processos, as organizações também influenciam diretamente o comportamento das pessoas.
O case da transformação do McDonald’s no Brasil, com a adoção do nome “Méqui”, reforçou a importância da escuta ativa. A mudança surgiu da forma como os próprios consumidores já se referiam à marca, aproximando a comunicação da cultura local. A decisão foi tomada no Brasil, mesmo sem aprovação prévia da liderança global, evidenciando o valor do conhecimento de mercado.
Os resultados dessa estratégia foram expressivos: redução de 50% no turnover, aumento de 25 pontos percentuais na satisfação do cliente e crescimento de 80% nas vendas. Para Camargo, isso demonstra que decisões orientadas por pessoas têm impacto direto no desempenho do negócio.

A plenária trouxe uma discussão sobre a relação entre resultados e fatores humanos, com Vania Ferrari e Anna Nogueira. O encontro conectou neurociência, cultura organizacional e práticas de ESG como elementos centrais para a performance das empresas.
Logo no início, Vania destacou o papel do RH na construção de uma cultura que desperte o engajamento dos colaboradores. O foco está em criar um ambiente em que as pessoas queiram estar presentes e contribuir com consistência, a partir de uma cultura bem definida.
Na sequência, Anna apresentou o ESG como um caminho prático para gerar resultados. No pilar ambiental, o foco está na eficiência e na redução de excessos nos processos. No aspecto social, a discussão abordou ações como diversidade, políticas de remuneração, cultura de feedback e atenção à saúde emocional. Em governança, a ênfase está em ética, transparência e redução de riscos como base para a reputação e a sustentabilidade do negócio.
A partir da neurociência, Vania trouxe uma reflexão sobre o impacto do excesso de estímulos, tarefas e processos na capacidade de pensamento. O desenvolvimento de um pensamento mais flexível, com repertório emocional e cognitivo ampliado, contribui para decisões mais conscientes e para a ampliação da visão de contexto.
A palestra também trouxe um ponto importante sobre o papel do RH no desenvolvimento interno. Antes de ampliar iniciativas para a organização, é necessário olhar para a própria estrutura, considerando saúde física, mental e a forma como as decisões são tomadas no dia a dia.
Como fechamento, a discussão reforçou a importância de construir ambientes consistentes, com práticas alinhadas ao propósito e à realidade das pessoas. Esse caminho contribui para resultados sustentáveis e para uma relação mais equilibrada entre desempenho e experiência no trabalho.

A discussão sobre saúde mental no trabalho ganhou espaço na programação com Willian Tadeu Gil, que trouxe uma visão prática sobre os impactos da NR-1 na gestão de pessoas e nos resultados das empresas.
O ponto de partida foi a mudança na forma como as organizações lidam com riscos. Enquanto a saúde física sempre esteve presente nas políticas corporativas, a saúde mental passa a ocupar um espaço mais estruturado com a atualização da NR-1. Segundo Willian, esse movimento representa uma virada importante na gestão de pessoas, ao incluir riscos que antes não eram visíveis ou facilmente mensuráveis.
A nova realidade exige atenção à carga cognitiva e aos fatores que afetam o bem-estar no dia a dia. Esses elementos nem sempre são simples de identificar, o que torna a atuação das empresas mais desafiadora. Nesse cenário, o uso de dados se torna um fator central para a tomada de decisão. Acompanhar indicadores de riscos psicossociais como afastamentos por saúde mental, volume de atestados e padrões de comportamento permite maior visibilidade e respostas mais rápidas.
Os dados reforçam a urgência do tema. Casos de afastamento por estresse e esgotamento cresceram de forma significativa, assim como situações relacionadas à violência contra a mulher. Esses movimentos mostram que a saúde mental já faz parte da rotina das empresas e precisa ser tratada com prioridade.
Outro ponto destacado foi a importância da capacidade de resposta. Organizações que conseguem identificar sinais e agir com rapidez tendem a ter melhores resultados, tanto do ponto de vista humano quanto operacional. Para isso, é necessário estruturar ambientes mais atentos ao cotidiano dos colaboradores, com práticas que promovam inclusão, acolhimento e segurança.
A NR-1 também amplia a responsabilidade do RH e da liderança. O início passa por políticas e compliance, e o avanço está na aplicação prática dessas diretrizes no dia a dia. A forma como líderes reagem a situações de saúde mental influencia diretamente a maturidade da organização no tema.
Como reflexão final, a palestra reforçou que a NR-1 não deve ser tratada apenas como exigência regulatória. Existe uma oportunidade de integrar o tema à estratégia do negócio, com impacto direto na vida das pessoas e nos resultados das empresas.

A palestra trouxe uma reflexão sobre o papel do RH na sustentação dos resultados das empresas, com Erika Linhares. A discussão abordou os fatores que impactam diretamente o bem-estar dos colaboradores e, consequentemente, a performance organizacional.
Logo no início, Erika chamou atenção para o aumento dos casos de burnout e para a crescente resistência das pessoas em assumir posições de liderança. A partir desse cenário, ela apresentou cinco fatores que contribuem para o adoecimento no trabalho.
O primeiro está relacionado à falta de identificação com a atividade exercida. Quando o trabalho não faz sentido ou não gera conexão, ele passa a ser visto apenas como obrigação. O segundo ponto envolve a compatibilidade entre crenças, objetivos e o ambiente organizacional. A relação com a empresa e com a liderança influencia diretamente o nível de engajamento.
O terceiro fator diz respeito às relações e à responsabilidade compartilhada. A construção de um ambiente saudável depende da capacidade de diálogo, resolução de conflitos e equilíbrio entre interesses individuais e coletivos. O quarto ponto é a liderança. Segundo Erika, líderes inseguros ou despreparados impactam diretamente o clima e os resultados, o que reforça a importância de suporte e desenvolvimento contínuo.
O quinto fator está na desorganização. Falta de clareza, metas desalinhadas e excesso de prioridades dificultam a execução e aumentam a pressão no dia a dia.
Diante desse cenário, o RH assume o papel de ponto de equilíbrio entre resultado econômico e desenvolvimento humano. A atuação passa por decisões mais estratégicas, como a construção de políticas de remuneração alinhadas ao desempenho, o uso de benefícios de forma personalizada e a condução de conflitos com foco em resolução.
Outro destaque foi a importância do engajamento e da cultura. O RH também atua na comunicação dos objetivos da empresa, fortalecendo o entendimento sobre o papel de cada colaborador e incentivando a conexão com o trabalho.
A palestra também reforçou a necessidade de atenção à coerência entre processos e metas, além do fortalecimento das lideranças. São os líderes que influenciam diretamente o cotidiano das equipes e o nível de engajamento.
Como reflexão final, Erika destacou que a construção de um ambiente saudável é contínua e depende das relações estabelecidas no dia a dia, assim como das condições oferecidas pela empresa.
A palestra trouxe uma reflexão sobre o papel das pessoas no contexto de avanço da inteligência artificial, com Bruno Leonardo. A discussão conectou tecnologia, desenvolvimento humano e cultura organizacional como elementos centrais para o futuro do trabalho.
Logo no início, Bruno levantou uma provocação sobre pertencimento. Para ele, é essencial que as pessoas saibam que têm valor dentro das organizações. Esse reconhecimento influencia diretamente o engajamento e a permanência dos colaboradores, independentemente do nível de tecnologia disponível.
Ao abordar o uso da inteligência artificial, destacou que o processo criativo envolve esforço, experimentação e construção ao longo do tempo. A IA pode ser utilizada como apoio nesse processo, funcionando como uma ferramenta de troca e refinamento de ideias. O uso mais estratégico acontece quando há interação, questionamento e validação dos resultados gerados.
Nesse contexto, Bruno apresentou dois perfis de uso da tecnologia. Os profissionais que atuam com intenção utilizam a IA de forma consciente, escolhem ferramentas adequadas, analisam os resultados e assumem a responsabilidade pelas decisões. Já aqueles que priorizam apenas a velocidade tendem a utilizar a tecnologia de forma automática, com menor envolvimento crítico no processo.
A discussão também destacou o papel da liderança. Cabe aos líderes criar condições para que pessoas e tecnologia atuem de forma integrada, sem transferir a tomada de decisão exclusivamente para sistemas. O uso da IA exige revisão de processos e abertura para novas formas de trabalho, considerando as possibilidades que a tecnologia traz para o contexto organizacional.
Outro ponto abordado foi o desafio do uso organizacional da IA. Embora o uso individual já esteja presente no dia a dia, a integração estruturada nas empresas ainda exige adaptação, alinhamento e desenvolvimento de novas práticas.
Como direcionamento, Bruno apresentou quatro competências relevantes para esse cenário: pensamento crítico e analítico, agilidade de aprendizagem, capacidade de julgamento com apoio da tecnologia e inteligência social. Essas habilidades contribuem para decisões mais conscientes e para o desenvolvimento de equipes mais preparadas para lidar com mudanças constantes.
A palestra reforçou a importância de equilibrar tecnologia e desenvolvimento humano, com foco em aprendizado contínuo e adaptação às novas demandas do trabalho.
A palestra trouxe uma abordagem prática sobre o papel da felicidade no contexto organizacional, com Aline Telles de Mello. A discussão conectou bem-estar, cultura e resultados como elementos que impactam diretamente a performance das empresas.
Logo no início, Aline destacou que felicidade no trabalho não está relacionada a um estado constante de alegria, mas à forma como as pessoas vivenciam sua jornada profissional. Esse conceito envolve tanto o ambiente oferecido pela empresa quanto a percepção individual sobre o trabalho realizado.
Entre os principais fatores que contribuem para a felicidade no ambiente corporativo, foram destacados elementos como pertencimento, equidade, engajamento, inclusão, qualidade da liderança, confiança psicológica, oportunidades de aprendizado e interesse pelas atividades desenvolvidas.
A palestra também apresentou a estrutura adotada pela Heineken para tratar o tema de forma estratégica. A criação de uma diretoria dedicada à felicidade é sustentada por três pilares principais. O primeiro é a pesquisa contínua, realizada de forma voluntária, com metodologia baseada no modelo PERMA-V e acompanhamento frequente de indicadores como NPS. Já o segundo envolve o desenvolvimento das lideranças, com foco em temas como segurança psicológica, qualidade das conversas e atenção à saúde social. O terceiro pilar é formado pelos embaixadores da felicidade, colaboradores que atuam na promoção dessas práticas no dia a dia, independentemente da posição que ocupam.
Os resultados apresentados mostram o impacto direto dessas iniciativas. A maioria dos colaboradores percebe a jornada de felicidade como positiva para o trabalho, o turnover se mantém estável, houve redução no absenteísmo e diminuição de casos relacionados à saúde mental.
A palestra reforçou que a construção de um ambiente onde as pessoas se sentem ouvidas, acolhidas e com condições adequadas de trabalho contribui diretamente para a sustentabilidade dos resultados e para o desempenho das organizações.

Começando o dia com insights sobre transformação, essa roundtable reuniu Abbadhia Vieira (Moodfy Academy), Soraya Bahde (Bradesco), Gustavo Espinheira (Braskem) e Aliny Katsutani (Tivit) para uma conversa prática sobre o papel do DHO em cenários de mudança constante. O debate conectou comunicação, liderança e desenvolvimento de capacidades como peças-chave para transformar estratégia em realidade.
Logo de início, Gustavo trouxe um ponto que gerou identificação imediata. Toda empresa já passou, ou está passando, por uma transformação. E a resistência faz parte desse processo, podendo até virar oposição direta. Nesse contexto, a comunicação ganha protagonismo. Quando as pessoas entendem o que está acontecendo e o motivo da mudança, o caminho se torna muito mais viável.
Aliny reforçou essa ideia com uma analogia: viver uma transformação organizacional é como morar em uma casa em reforma. Nem todo mundo escolheu a mudança e sempre haverá questionamentos sobre decisões e prioridades. Por isso, o DHO precisa participar desde o começo, ajudando a desenhar a arquitetura da transformação e não apenas entrando depois com comunicação ou treinamentos.
A conversa chegou rapidamente às lideranças, apontadas como motor da transformação. Em momentos de incerteza surgem dúvidas e inseguranças, o que torna a capacitação essencial. Clareza de prioridades, foco, adaptabilidade e agilidade de aprendizagem aparecem como habilidades-chave para atravessar mudanças com consistência.
Entre os erros mais comuns, surgiu a tentativa de transformar tudo ao mesmo tempo sem considerar a capacidade real da organização. A falta de storytelling também pesa, já que sem uma narrativa clara o engajamento dificilmente acontece.
Aliny trouxe um alerta: não adianta tratar a transformação como um grande evento se ela não se sustenta no dia a dia. Estratégias fortes perdem força quando lideranças e equipes não acompanham o processo de forma contínua. O cenário ideal envolve construção coletiva, comunicação constante e quebra de resistências.
A escuta ativa apareceu como um diferencial importante. Envolver as pessoas nas decisões reduz resistências e evita ruídos, já que o que parece óbvio para alguns nem sempre é claro para todos.
Entre as competências essenciais para DHO, destacaram-se influência, disciplina para execução, visão estratégica e tomada de decisão em cenários incertos. A mensagem final reforçou que a transformação só se sustenta quando comunicação, liderança e desenvolvimento caminham juntos.

Renato Curi, Sócio-Diretor e Chief Product Officer da Crescimentum, abriu a palestra com uma provocação sobre a chamada liderança heroica. Aquele líder que resolve tudo, destrava decisões e concentra conhecimento. Esse modelo surgiu em um mundo mais previsível e com acesso limitado à informação. O problema é que o contexto mudou, mas a forma de liderar muitas vezes continua a mesma, com equipes dependentes e decisões centralizadas.
Ele comparou esse modelo à liderança “semáforo”, na qual o time espera a validação para seguir. Com a inteligência artificial, esse fluxo começa a mudar. Pela primeira vez, parte da inteligência do sistema não está apenas nas pessoas. A IA já consegue apoiar análises, validações e decisões, ampliando a capacidade de experimentação e reduzindo o tempo de execução. Hoje, o maior desafio passa a ser definir estratégia, já que a execução pode acontecer em minutos.
Nesse cenário, o papel da liderança evolui para a construção de sistemas e contextos. Curiosidade, pensamento crítico, visão sistêmica e capacidade de formular problemas ganham ainda mais relevância. Renato destacou a transição da engenharia de prompt para a engenharia de contexto, reforçando a importância de compartilhar estratégia, prioridades e critérios para que a IA se torne um repositório vivo de decisões e aprendizados.
Como passos práticos, sugeriu escolher uma decisão que ainda depende demais do líder, tornar o fluxo visível e redesenhar o processo para distribuir responsabilidades. A ideia é reduzir a centralização e estimular o desenvolvimento contínuo das equipes.
A IA também aparece como aliada no feedback e no aprendizado. Pode apoiar análises pós-reuniões, identificar padrões de comportamento e acelerar o desenvolvimento sem depender apenas de ciclos formais de avaliação.
Como reflexão final, Renato provocou o público a repensar a distribuição de responsabilidades. Por que o desenvolvimento das equipes ainda precisa ficar concentrado no líder? Por que a IA não pode assumir parte das análises e tarefas mais burocráticas? O futuro da liderança aponta para um desenvolvimento contínuo, distribuído e cada vez mais compartilhado entre pessoas e tecnologia.
Laís Melo, Especialista em Desenvolvimento da Wellhub, Ivone Matjas, Gerente de Saúde e Bem-Estar do Itaú, e Adriana Viveiros, Diretora de RH da Leroy Merlin Brasil, se reuniram em um painel para falar sobre como a saúde mental deixou de ser apenas um tema de cuidado e passou a ser também um tema de gestão de risco.
Ivone abriu compartilhando um case sobre o rastreio de adoecimento mental. A empresa passou a usar formulários para identificar sinais de alerta e direcionar rapidamente pessoas em estado mais crítico para apoio profissional. Adriana contou que, durante a pandemia, o tema ganhou espaço com um projeto piloto que incentivou conversas mais abertas. O avanço foi gradual, com letramento e construção de confiança ao longo do tempo.
Laís reforçou a importância do olhar personalizado. Embora todos precisem de cuidado, algumas pessoas enfrentam demandas mais sensíveis e exigem atenção especial. Para que isso funcione, confiança e confidencialidade são indispensáveis, já que o estigma ainda é uma barreira real. Por isso, medir o nível de confiança também se torna parte da estratégia.
A discussão avançou para a gestão de risco. O olhar não deve ficar apenas no indivíduo, mas também em dados populacionais e indicadores organizacionais, como afastamentos, turnover voluntário, atratividade e qualidade de vida. Um dado ilustra bem essa necessidade de análise integrada: colaboradores que praticam atividade física apresentam cerca de 30% menos afastamentos, e quando o exercício vem acompanhado de apoio psicológico essa redução pode chegar a 70%.
A dica final é que empresas precisam cruzar metas de negócio, indicadores de RH e dados de bem-estar para diagnosticar cenários com mais precisão e estruturar ações realmente efetivas. A saúde mental passa a fazer parte da estratégia do negócio e da gestão de riscos de forma contínua.
Tatiana Gracia, Analista Comportamental, Professora e Autora, trouxe uma reflexão sobre como as mudanças demográficas e sociais estão redesenhando o mundo do trabalho.
Ela começou com um dado forte sobre longevidade. Hoje existem 59 milhões de brasileiros com mais de 50 anos e, a cada 20 segundos, uma nova pessoa entra nesse grupo. Esse cenário impulsiona a chamada economia prateada, que deve dobrar nas próximas duas décadas.
A palestra também abordou a economia climatérica. Em média, mulheres nessa fase vivenciam de seis a oito sintomas por ano, com impactos físicos e emocionais que influenciam diretamente a vida e o trabalho. Tudo isso se soma a um cenário de esgotamento social. Segundo a Microsoft, 68% das pessoas se sentem sobrecarregadas por notificações, mensagens e reuniões, enquanto 59% dos brasileiros relatam sentir solidão mesmo hiperconectados.
Tatiana reforçou que o que mais adoece no trabalho é sentir que não importa. O “Como você tá?” tem virado o “Você viu meu e-mail?”. O vínculo foi substituído por transações rápidas e comunicação superficial, o que enfraquece relações e pertencimento.
Pela primeira vez convivemos com quatro gerações no mercado. A Geração Z, “a geração dopamina”, é marcada pelo excesso de estímulos e apresenta maior risco à saúde mental. Já a geração prateada representa 27% da população e cresce rapidamente, com expectativa de duplicar em 20 anos.
Entre elas está a geração sanduíche, reúne profissionais entre 30 e 39 anos que cresceram no mundo analógico e amadureceram no digital. Hoje, representam cerca de 31% da população brasileira — e a maioria é formada por mulheres. Elas vivem no meio de duas frentes de cuidado: filhos e pais envelhecendo. Não por acaso, dedicam em média 21 horas semanais ao cuidado, mais que o dobro do tempo dos homens (10h). Na prática, é uma geração que sustenta múltiplos papéis ao mesmo tempo: produtiva no trabalho, disponível para a família, conectada o tempo todo e, muitas vezes, ausente de si mesma.
Apesar dos conflitos geracionais, equipes intergeracionais bem conduzidas podem ter até 45% mais chances de inovar e 28% mais engajamento. O caminho passa por humildade, escuta e abertura para aprender com o outro.
Entre os passos práticos, Tatiana destacou presença intencional, escuta ativa, comunicação mais humana e personalizada e a importância de nunca subestimar nenhuma geração. O recado final foi direto. Resultado é de gente, não de IA, e a capacidade de se conectar continua sendo uma das competências mais valiosas do trabalho.
Carla Zeitune, Superintendente Executiva de Pessoas e Cultura do Banco Pine, abriu o painel com uma provocação direta: a experiência do colaborador começa antes da contratação, e não termina nunca. Ela reforçou a importância de ser genuíno com a proposta de valor e com o que a empresa realmente consegue entregar. A jornada nasce no anúncio da vaga e continua nos detalhes da chegada. O gestor está pronto para receber? O time inclui? Existe acolhimento real? Encantar no recrutamento e frustrar no dia a dia quebra confiança rapidamente. Cultura não é discurso, é rotina.
Danielle Arraes, CHRO LatAm da JDE Peet’s, complementa que hoje as pessoas têm muito mais poder de escolha e avaliam com cuidado se a proposta faz sentido para suas vidas. Por isso, é essencial entender se os processos realmente ajudam na aculturação e envolver a liderança desde o recrutamento, já que o gestor tem um olhar mais apurado sobre as necessidades da vaga.
Ela também destaca que o tempo médio de permanência nas empresas tem sido de cerca de 9 meses, geralmente por três motivos principais: sensação de estagnação, falta de afinidade com a cultura e ausência de liberdade para ser quem se é. Nesse cenário, alinhar expectativas se torna indispensável. Declarar o que se espera, ter conversas difíceis, ouvir de forma genuína e incentivar a reflexão dos colaboradores passam a ser práticas fundamentais para fortalecer toda a jornada, do início ao fim.
A mensagem final é que a experiência do candidato molda a experiência do colaborador, e o contrário também é verdadeiro. A coerência entre promessa e prática fortalece a permanência das pessoas na organização. A falta desse alinhamento, por outro lado, encurta a jornada e acelera as saídas.
Vini Michelucci, Sócia e consultora de DEI da Travessia, Daniela Pereira, Sênior de Pessoas, Cultura e Performance do Bradesco, e Patrícia Bobbato, Diretora de Cultura, Desenvolvimento, DE&I e Bem-Estar da Natura, se reuniram para discutir como a diversidade deixou de ser apenas uma pauta social e passou a ocupar um papel central na estratégia de negócios.
A conversa começou com a visão de que diversidade e inclusão estão cada vez mais conectadas ao resultado das empresas. Patrícia reforçou que, na Natura, a diversidade sempre foi tratada como essência do negócio. A ideia de que quanto maior a diversidade das partes, maior a riqueza do todo se reflete em decisões concretas, como o desenvolvimento de produtos criados a partir de necessidades específicas de diferentes perfis de consumidores, como no caso da linha voltada para a pele da mulher negra. Para ela, quando existe intencionalidade real, a diversidade deixa de ser discurso e passa a ser motor de inovação.
Daniela trouxe exemplos do Bradesco, como a inclusão do nome social no cartão e nos atendimentos, reforçando que intenção sem direcionamento não gera impacto. Ela destacou que, com mais dados disponíveis, as empresas conseguem tomar decisões mais conscientes sobre onde e como atuar para fortalecer uma cultura mais inclusiva.
O painel também destacou a evolução da abordagem da Natura, que deixou de tratar diversidade como uma agenda isolada de letramento e passou a integrá-la em toda a jornada organizacional. Hoje, o tema está presente nas decisões, na cultura e no dia a dia, de forma contínua e estruturada.
Encerrando dias de conteúdo intenso no RH Summit, fica claro como o futuro do trabalho já está acontecendo agora, impulsionado por temas como liderança, saúde mental, diversidade e o avanço da inteligência artificial dentro das organizações.
No Pandapé, acompanhamos de perto essas transformações para traduzir tendências em soluções reais para o dia a dia do recrutamento. Mais do que observar o movimento do mercado, nosso foco é apoiar empresas a conectarem estratégia e execução com tecnologia, simplificando processos, ganhando agilidade e fortalecendo decisões mais assertivas na contratação de talentos.
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