A forma como as empresas lidam com a saúde e segurança no trabalho mudou muito nos últimos anos e não é para menos:

Em 2025, o Brasil registrou 546 mil licenças por transtornos mentais e comportamentais, o maior número já registrado no país. No mesmo período, afastamentos por depressão e ansiedade cresceram 15% em relação a 2024.

Ao mesmo tempo, a própria percepção das pessoas sobre bem-estar também está mudando. Um estudo da Vhita realizado em 2026 com 500 brasileiros mostrou que 67% pretendem investir mais na própria saúde mental, priorizando práticas como terapia, pausas estratégicas durante o trabalho (66,4%) e melhoria do sono (69%).

Esse cenário ajuda a explicar uma das mudanças mais importantes da legislação trabalhista previstas para esse ano: a atualização da NR-1 (Norma Regulamentadora nº 1).

A norma agora passa a exigir que as empresas também considerem riscos psicossociais dentro da gestão de riscos ocupacionais.

E existe um prazo importante: a fiscalização com possibilidade de multas começa em 26 de maio de 2026.

Para o RH, isso levanta uma série de dúvidas:

  • O que realmente mudou na NR-1?
  • O que são riscos psicossociais segundo a norma?
  • O que as empresas precisam fazer para se adequar?
  • Como manter a conformidade depois que a norma estiver em vigor?

Neste guia completo, reunimos tudo o que você precisa saber para preparar sua empresa. Continue lendo para ficar por dentro!

O que é a NR-1 e qual o seu objetivo?

A NR-1 (Norma Regulamentadora nº 1) estabelece as diretrizes gerais de saúde e segurança do trabalho no Brasil.

Ela funciona como a base para todas as outras Normas Regulamentadoras (NRs), definindo responsabilidades de empresas e trabalhadores e orientando como os riscos ocupacionais devem ser gerenciados.

Entre outros pontos, a norma estabelece:

  • Deveres do empregador e do trabalhador em relação à segurança no trabalho;
  • Regras para capacitação e treinamentos obrigatórios;
  • Diretrizes para o gerenciamento de riscos ocupacionais;
  • Orientações para programas de prevenção dentro das empresas.

As atualizações recentes foram publicadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego e trouxeram mudanças importantes para a gestão de riscos dentro das organizações.

A principal delas envolve a inclusão dos riscos psicossociais na análise obrigatória de riscos do trabalho.

O que mudou na NR-1 com a atualização recente?

A atualização da norma trouxe ajustes em vários pontos da gestão de segurança e saúde no trabalho, mas um deles ganhou destaque nas discussões entre empresas e profissionais de RH: a inclusão explícita dos riscos psicossociais.

Na prática, isso significa que fatores ligados à organização do trabalho e às relações profissionais também precisam ser avaliados dentro da gestão de riscos da empresa.

Entre as principais mudanças estão:

Inclusão dos riscos psicossociais na gestão de riscos

A empresa deve identificar e monitorar fatores que possam impactar a saúde mental dos trabalhadores.

Isso pode incluir situações como:

  • Pressão excessiva por metas;
  • Excesso de carga de trabalho;
  • Conflitos frequentes entre equipes;
  • Assédio moral;
  • Jornadas prolongadas;
  • Falta de autonomia ou clareza nas responsabilidades.

Fortalecimento do gerenciamento de riscos ocupacionais

A NR-1 também reforça a importância do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO).

Isso significa que a empresa precisa:

  • Identificar riscos no ambiente de trabalho;
  • Avaliar o impacto desses riscos
  • Definir medidas de prevenção ou controle;
  • Acompanhar continuamente a eficácia dessas ações.

Ou seja, não basta documentar o risco. É preciso monitorar e agir continuamente.

Critérios mais claros para treinamentos

A norma também trouxe orientações mais específicas para capacitações obrigatórias.

Treinamentos devem ter:

  • Conteúdo programático definido;
  • Carga horária mínima;
  • Registro de participação;
  • Avaliação de aprendizado.

Eles podem acontecer de forma presencial, semipresencial ou EAD, desde que seja possível comprovar sua realização.

Quando começam as multas relacionadas à NR-1?

Embora as atualizações já estejam publicadas, foi definido um período de adaptação para que as empresas ajustem seus processos.

A fiscalização com possibilidade de penalidades começa em 26 de maio de 2026.

A partir dessa data, empresas que não demonstrarem gestão adequada dos riscos ocupacionais, incluindo os psicossociais, podem sofrer:

  • Autuações administrativas;
  • Multas trabalhistas;
  • Exigência de adequação imediata.

Vale o alerta: se a sua empresa ainda não revisou suas práticas de gestão de saúde e segurança no trabalho, agora é a hora!

Afinal, o que são riscos psicossociais?

Em poucas palavras, os riscos psicossociais são fatores relacionados à forma como o trabalho é organizado e às relações profissionais dentro da empresa.

Quando esses fatores não são bem gerenciados, eles podem afetar a saúde mental dos trabalhadores e gerar consequências como estresse crônico, ansiedade ou burnout.

Abaixo, elencamos os tipos mais comuns de riscos psicossociais no trabalho e como cada um deles pode afetar a saúde mental dos colaboradores:

Sobrecarga de trabalho

A sobrecarga de tarefas pode levar a um estresse crônico e à diminuição da produtividade, além de prejudicar a qualidade do trabalho.

Falta de controle sobre o trabalho

A falta de autonomia gera frustração e sensação de impotência, o que pode contribuir para o estresse e a insatisfação profissional.

Conflitos interpessoais

Conflitos não resolvidos afetam o clima organizacional e podem levar ao desgaste emocional dos envolvidos.

Falta de apoio social

A falta de apoio por parte de colegas ou líderes pode afetar significativamente a saúde emocional de um profissional.

Insegurança no trabalho

A incerteza em relação à estabilidade do emprego ou às perspectivas de crescimento na empresa pode interferir diretamente na motivação e na saúde mental dos funcionários.

O que o RH precisa fazer para se adequar à NR-1?

Diante das novas exigências da norma, é normal que muitas empresas ainda estejam se perguntando por onde começar. Aqui vão alguns passos importantes:

1. Atualize o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR)

    O primeiro passo é revisar o PGR da empresa. Esse programa reúne a identificação e análise dos riscos ocupacionais presentes nas atividades da organização.

    Mas não se esqueça que, com a atualização da NR-1, ele também deve considerar riscos psicossociais ligados à organização do trabalho.

    2. Mapeie os riscos psicossociais da sua empresa

    Para identificar esses riscos, as empresas podem utilizar diferentes ferramentas, como:

    • Pesquisas de clima organizacional;
    • Entrevistas ou rodas de conversa com colaboradores;
    • Análise de indicadores como turnover e absenteísmo;
    • Canais de escuta e feedback interno.

    Essas informações ajudam a entender melhor os fatores que podem impactar o bem-estar das equipes.

    3. Criar planos de ação preventivos

    Após identificar os riscos, é importante definir ações para preveni-los ou reduzi-los. É importante que sua empresa:

    • Revise metas e/ou carga de trabalho;
    • Implemente um programa de apoio à saúde mental;
    • Defina políticas claras contra assédio;
    • Aplique melhorias reais na comunicação interna;
    • Faça a capacitação de líderes.

    4. Capacite líderes e gestores

    Estudos da Gallup indicam que a liderança tem uma influência de até 70% na variação do engajamento dos funcionários. Já uma pesquisa da Robert Half apontou que 94% dos entrevistados afirmam que a satisfação no trabalho é influenciada pela atuação da liderança.

    Dito isso, é essencial que as empresas invistam em treinamentos para que gestores aprendam a:

    • Identificar sinais de sobrecarga ou esgotamento;
    • Conduzir conversas difíceis com suas equipes;
    • Organizar melhor a distribuição de tarefas;
    • Promover ambientes de trabalho mais colaborativos.

    💡 Você pode gostar desse artigo: Desenvolvimento de lideranças – como capacitar quem capacita?

    5. Mantenha registros e documentação sempre atualizados

    Mais do que apenas se adequar à NR-1, as empresas precisam documentar as ações realizadas. Afinal, são esses registros que comprovam as medidas adotadas em caso de auditoria ou fiscalização.

    Isso envolve, por exemplo:

    • Inventário de riscos ocupacionais;
    • Planos de ação implementados;
    • Registros de treinamentos;
    • Relatórios de avaliação de riscos.

    Como manter a empresa em conformidade após 2026?

    Se adequar à norma é só o primeiro passo. Depois disso, as empresas precisam fazer a gestão dos riscos o tempo todo, até para evitar problemas no futuro.

    Algumas práticas importantes incluem:

    • Revisar o PGR periodicamente;
    • Monitorar indicadores de saúde ocupacional;
    • Atualizar treinamentos quando necessário;
    • Manter canais de escuta para os colaboradores;
    • Revisar processos de trabalho que possam gerar sobrecarga.

    Essa abordagem mais preventiva será crucial para reduzir riscos e também manter a operação mais saudável no longo prazo.

    Perguntas frequentes sobre a NR-1

    O que a NR-1 exige das empresas?

    A norma exige que empresas implementem práticas de gestão de riscos ocupacionais, incluindo identificação, avaliação e controle de riscos relacionados ao trabalho.

    A NR-1 obriga empresas a cuidar da saúde mental?

    A norma exige que riscos psicossociais sejam identificados e gerenciados, pois podem impactar a saúde e segurança dos trabalhadores.

    Quando a NR-1 começa a gerar multas?

    A fiscalização com possibilidade de penalidades começa em 26 de maio de 2026.

    Pequenas empresas precisam cumprir a NR-1?

    Sim. A norma se aplica a empresas de diferentes portes que possuam trabalhadores contratados pelo regime CLT.

    Quem é responsável pela implementação da NR-1 na empresa?

    A responsabilidade é do empregador, mas o processo normalmente envolve áreas como:

    • RH;
    • Segurança do trabalho;
    • Lideranças e gestores;
    • Comissões internas de prevenção.

    Resumindo…

    A atualização da NR-1 reforça algo que muitas empresas já começaram a perceber na prática: saúde mental e organização do trabalho também fazem parte da segurança ocupacional.

    Isso representa uma oportunidade enorme para o RH estruturar processos mais preventivos e estratégicos, conectando bem-estar, gestão de riscos e cultura organizacional.

    As empresas que já se adaptarem vivem 2026 mais preparadas não apenas para evitar multas, mas para construir ambientes de trabalho mais saudáveis e sustentáveis.

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